Atualizado em 21/10/2015 - 15h00
Oposição entrega a Cunha novo pedido de impeachment de Dilma
Alex Ferreira / Câmara dos Deputados

Ao receber o pedido de impeachment de Dilma, o presidente Eduardo Cunha disse que irá analisá-lo com rapidez e isenção
Líderes da oposição (DEM, PSDB, PPS e Solidariedade) entregaram na manhã desta quarta-feira (21) ao presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, um novo pedido de impeachment da presidente da República, Dilma Rousseff. Ao receber o texto, Cunha prometeu analisá-lo com "isenção e celeridade".
A exemplo de um dos pedidos anteriores, o novo requerimento foi subscrito pelos juristas Hélio Bicudo, Miguel Reale Jr. e Janaína Paschoal, e apoiado por 43 movimentos da sociedade civil, conforme informou Maria Lúcia Bicudo, que compareceu à Câmara representando o seu pai. Este é o 28º pedido de impeachment da presidente apresentado à Câmara este ano. Vinte foram arquivados e oito estão em análise.
O líder do Solidariedade, deputado Arthur Oliveira Maia (BA), afirmou que a novidade deste pedido é a comprovação das chamadas “pedaladas fiscais” (uso dos bancos públicos para pagar despesas do governo federal) neste ano. Segundo ele, houve crime de responsabilidade fiscal no atual mandato da presidente, o que abriria caminho para o impeachment.
Os líderes da oposição demonstram confiança de que o pedido será acatado por Cunha, que não tem prazo determinado para tomar a decisão. “O presidente da Casa tem agora todos os elementos necessários para deferir o pedido de impeachment”, afirmou o líder do PSDB, deputado Carlos Sampaio (SP). Ele disse, ainda, que o formato deste pedido é “regimentalmente adequado e corresponde às expectativas das decisões do Supremo Tribunal Federal”.
Liminares do STF congelaram o rito de tramitação do impeachment definido por Cunha, em resposta a uma questão de ordem da oposição. Na última segunda-feira (19), o presidenterecorreu da decisão.
Legitimidade
Questionado pela imprensa se o presidente da Câmara teria legitimidade para decidir sobre o impeachment diante das denúncias da Procuradoria-Geral da República contra ele, Carlos Sampaio declarou que “o correto seria o afastamento de Cunha da Presidência”. Porém, segundo o líder, “enquanto o presidente desta Casa não renunciar, ele tem a legitimidade e a prerrogativa de todas as decisões”. As denúncias vêm sendo negadas pelo presidente da Câmara, que já descartou qualquer possibilidade de renúncia.
Questionado pela imprensa se o presidente da Câmara teria legitimidade para decidir sobre o impeachment diante das denúncias da Procuradoria-Geral da República contra ele, Carlos Sampaio declarou que “o correto seria o afastamento de Cunha da Presidência”. Porém, segundo o líder, “enquanto o presidente desta Casa não renunciar, ele tem a legitimidade e a prerrogativa de todas as decisões”. As denúncias vêm sendo negadas pelo presidente da Câmara, que já descartou qualquer possibilidade de renúncia.
“As instituições estão funcionando plenamente”, acrescentou o líder do DEM, deputado Mendonça Filho (PE). “Enquanto o presidente da Casa estiver respondendo pelo comando da Câmara, evidentemente qualquer ato autorizado por ele tem respaldo jurídico e constitucional”, completou. Ele também demonstrou confiança de que Cunha acatará o pedido de impeachment de Dilma e disse esperar que a decisão seja tomada até novembro.
Rito
Caso o presidente da Câmara indefira o pedido de impeachment, Mendonça Filho defende que Cunha acate as liminares do STF, desconsidere a questão de ordem e analise o novo pedido à luz da Constituição, do Regimento Interno e da Lei 1.079/50. Para ele, isso possibilitará que o Plenário se pronuncie em relação ao processo de impeachment, como já ocorreu no caso do ex-presidente Fernando Collor de Mello.
Caso o presidente da Câmara indefira o pedido de impeachment, Mendonça Filho defende que Cunha acate as liminares do STF, desconsidere a questão de ordem e analise o novo pedido à luz da Constituição, do Regimento Interno e da Lei 1.079/50. Para ele, isso possibilitará que o Plenário se pronuncie em relação ao processo de impeachment, como já ocorreu no caso do ex-presidente Fernando Collor de Mello.
O líder do PPS, deputado Rubens Bueno (PR), também afirmou que as decisões do STF “não vão retirar do Plenário a decisão”.
Já o líder do governo, deputado José Guimarães (PT-CE), defendeu que as decisões do Supremo sejam respeitadas, “porque é ele [STF] que dá segurança jurídica ao País”.
Pauta do governo
Guimarães disse, ainda, que é hora de a oposição “virar a página”, pois o impeachment estaria sendo, na sua visão, a pauta política permanente dos partidos oposicionistas. “É a mesma conversa, toda semana a mesma coisa”, destacou. “A agenda do governo é a retomada do crescimento econômico, do emprego. O governo não está preocupado com isso [impeachment], está preocupado com a construção e votação de uma agenda para o país”, reforçou.
Guimarães disse, ainda, que é hora de a oposição “virar a página”, pois o impeachment estaria sendo, na sua visão, a pauta política permanente dos partidos oposicionistas. “É a mesma conversa, toda semana a mesma coisa”, destacou. “A agenda do governo é a retomada do crescimento econômico, do emprego. O governo não está preocupado com isso [impeachment], está preocupado com a construção e votação de uma agenda para o país”, reforçou.
Entre as prioridades da pauta do governo, o líder citou a Proposta de Emenda à Constitução (PEC)87/15, que prorroga a Desvinculação das Receitas da União (DRU), e a PEC 140/15, que recria a Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF).
Como resposta ao slogan anunciado pela oposição (“Natal sem Dilma”), Guimarães defendeu o “Natal com DRU e CPMF”. Ele explicou que a contribuição afetará não os pequenos, mas os “grandes correntistas, que acumulam vultuosas quantias em bancos”. E exemplificou: “Quem ganha R$ 1 mil vai pagar apenas R$ 1,27”.
Pressão
Representantes do Movimento Brasil Livre informaram que vão acampar em frente ao Congresso Nacional para pressionar os parlamentares pelo impeachment da presidente Dilma Rousseff.
Representantes do Movimento Brasil Livre informaram que vão acampar em frente ao Congresso Nacional para pressionar os parlamentares pelo impeachment da presidente Dilma Rousseff.
Reportagem – Lara Haje
Edição – Luciana Cesar
Edição – Luciana Cesar
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