Prefeitura vai transformar horta do Dirceu em projeto de agroecologia
Horta foi inaugurada em 1987 e é considerada a maior em área urbana da América Latina.
13/07/2015 - 10h47 Imprimir Envie por e-mail

Créditos: Rômulo Piauilino
A Prefeitura de Teresina vai concluir até o final de agosto o projeto que pretende transformar a horta comunitária do Dirceu, zona Sudeste da cidade, em um grande projeto de agroecologia. A intenção é criar condições necessárias para que os horticultores tenham independência produtiva e financeira em bases agroecológicas.
Na semana passada uma equipe do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) esteve em Teresina tratando do projeto com representantes da Prefeitura, Embrapa e Sebrae. O Superintendente Municipal de Desenvolvimento Rural (SDR), Paulo Lopes, ressalta que o projeto, além de todos os outros benefícios, também vai melhorar a alimentação dos horticultores, de suas famílias, além de melhorar a renda dessas pessoas. “Isto porque os produtos orgânicos custam, em média, 30% a mais que os produtos convencionais”, explica.
Outra novidade nessa área é que a Prefeitura está trabalhando para implantar em Teresina um Centro Vocacional Tecnológico (CVT), que funcionará como uma escola de formação contínua para os horticultores. “O projeto será colocado em prática em parceria com a Embrapa, que atuará com uma equipe multidisciplinar de pesquisadores e analistas em transferência de tecnologias, e com o Sebrae, que fará a capacitação dos horticultores. Vamos estar focados em atrair os jovens, especialmente os filhos dos horticultores, para que se capacitem no ofício de seus pais”, explica Paulo Lopes.
O projeto faz parte do intenso trabalho que a Prefeitura de Teresina vem desenvolvendo com o objetivo de revitalizar as hortas comunitárias e campos agrícolas da cidade. “Através de convênios com o Ministério do Desenvolvimento Social e a Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf), estamos conseguindo realizar um bom trabalho. O foco maior é melhorar a vida e a renda dessas famílias”, afirma o superintendente.
Assistência do município garante condições de trabalho
Os horticultores recebem assistência técnica da Prefeitura através de cursos de capacitação e do fornecimento de material. “Temos, em média, 280 famílias trabalhando diretamente nessa horta. Desse total 150 participaram dos últimos cursos que oferecemos, que contemplou disciplinas como manejo de culturas, gestão, organização social e noções de comercialização” disse o superintendente.
Ainda de acordo com Paulo, a Prefeitura também recuperou oito mil metros quadrados de cerca da horta, que estava danificada. Dentro do programa de revitalização das hortas e campos agrícolas, além dos cursos e do projeto de irrigação, os horticultores também estão sendo beneficiados com a distribuição de ferramentas, como enxadas, pás, carrinhos de mão, ancinhos, ciscadores, colheres de transplantio, sachos, regadores e bandejas de preparação de mudas.
A horta comunitária do Dirceu, inaugurada em 1987 e considerada a maior em área urbana da América Latina, tem 22,5 hectares em área contínua, onde são cultivados coentro, cebolinha, alface, couve e plantas medicinais.
Horticultores têm renda garantida
Os horticultores estão com uma expectativa em relação aos novos projetos que serão desenvolvidos na horta. Para eles, o trabalho no local permite muito mais do que renda. Promove também qualidade de vida. “Aqui eu sou o patrão e chego a ganhar até dois salários mínimos por mês. Trabalhar na horta é melhor que ser empregado”, conta o ex-auxiliar de almoxarifado Antônio Maria dos Santos, de 74 anos.
Ele começou a trabalhar no local em 1995, depois de ter sido empregado numa indústria de confecções. “Dou graças a Deus por essa oportunidade. A gente trabalha muito, mas compensa. É dinheiro na hora”, comemora.
Para a ex-técnica de enfermagem Cristiane Jorge de Sousa Costa, de 52 anos, a oportunidade de trabalhar na horta transformou a sua vida. Horticultora há dois anos, ela revela que não quer mais voltar para a farmácia onde trabalhou por vários anos.
“Sinto orgulho do meu trabalho. É gratificante a gente plantar e colher. Praticamente todos os dias volto pra casa com dinheiro no bolso. Se eu pudesse moraria aqui. Sem a horta eu estaria penando, pode ter certeza”, diz satisfeita com a qualidade das hortaliças que consegue colher.
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