Lavanderias Comunitárias garantem renda para mais de 150 mulheres em Teresina
Prefeitura mantem oito lavanderias comunitárias espalhadas pela cidade
27/07/2015 - 09h58 Imprimir Envie por e-mail

Créditos: Renato Bezerra
Um ofício que, mesmo com o avanço tecnológico, resiste. Aliás, resistência é das características mais marcantes das lavadeiras de roupas, profissão esta que vem sendo desenvolvida na Capital com o apoio da Prefeitura de Teresina através de oito Lavanderias Comunitárias, situadas em quase todas as zonas da cidade. Esses espaços funcionam com uma alternativa de sustentabilidade financeira para aproximadamente 150 mulheres. Para a maioria delas, essa é única fonte de renda.
Maria da Conceição Freitas é uma dessas mulheres. Há mais de 20 anos, suas mãos delicadas e fortes lavam e passam roupas, cotidianamente, na Lavanderia Comunitária do Morro da Esperança (bairro Marquês), localizada na zona Norte. “Foi daqui que eu criei os meus filhos e já estou criando meus netos. É a única fonte de sustento que eu tenho. Não sei nem imaginar como seria se eu não tivesse esse trabalho”, relata a lavadeira, que está entre as 25 mulheres que trabalham no local.
O trabalho de Maria Conceição também é responsável por garantir, diretamente, renda para outras mulheres. Isso porque sua demanda é tão grande que ela necessita de mais três auxiliares para conseguir atender toda sua clientela. “Eu tenho tantos clientes que preciso de mais três mulheres para me ajudar a dar conta do serviço. Eu chego até a dispensar lavado porque vejo que não vou ter condições de fazer“, explica, acrescentando que a qualidade e preço do serviço prestado são as justificativas para tantas solicitações.
“Aqui na lavanderia elas têm toda a estrutura necessária para desenvolver suas atividades. Elas são muito dedicadas. Muitas aqui já compraram casa, transporte pros filhos. A Prefeitura nos cede o prédio, dá apoio, mas são elas quem decidem tudo coletivamente, para que elas possam evoluir juntas. Elas são independentes. Todo mês, fazemos o controle das finanças para manter o bom funcionamento do espaço”, destaca o gerente da Lavanderia do Morro da Esperança, Francisco das Chagas.
Antônia Fernandes é trabalhadora auxiliar da referida lavanderia e conta que, antes de se dedicar a tal ofício, era doméstica. Ela garante que gosta mais do trabalho que realiza atualmente. “Eu comecei aqui há pouco tempo, mas já gosto muito do faço. Para mim, é melhor do que quando eu era doméstica, uma coisa que fiz por mais de 16 anos. Às vezes, chego a ganhar até mais do que eu ganhava”, disse ela, que é lavadeira há 5 meses.
Para o gestor da Secretaria Municipal de Economia Solidária (Semest), Olavo Braz, os exemplos citados apontam as contribuições que essas Lavanderias Comunitárias têm dado para a ocupação da mão de obra feminina. “Esses espaços são responsáveis por gerar renda para muitas famílias teresinenses. Então é papel da Prefeitura de Teresina apoiar essas mulheres que, muitas vezes, têm esse trabalho como fonte única de sustento. Esse apoio foi ampliado em 100% na gestão do prefeito Firmino Filho, passando de 4 para 8 locais, sendo criadas a da Vila Isabel, Planalto Uruguai, Planalto Ininga e Vila Nova”, frisa o secretário.
Renda das lavadeiras varia entre um e três salários mínimos
A possibilidade de melhoria na qualidade de vida das lavadeiras é refletida através da renda que elas obtêm. Segundo Manoel Marques, que coordena as Lavanderias Comunitárias de Teresina, os valores variam de acordo com o tamanho do local. “Nas maiores, a renda pode chegar até três salários mínimos. Em outras, elas conseguem um salário”, explica.
Na Lavanderia do bairro São Pedro, localizada na zona Sul, a renda das 20 mulheres cadastradas no local chega a dois salários. “Por mês, chega a passar pela lavanderia até 22 mil peças de roupa. Por conta dessa demanda, algumas lavanderias têm auxiliares. Então a renda delas varia muito, ficando entre um e dois salários”, conta Maria de Fátima, gerente da Lavanderia.
50% das Lavanderias são autossustentáveis
O secretário da Semest, Olavo Braz, destaca também que, para contribuir com o avanço do trabalho realizado por essas mulheres, a Prefeitura está buscando implantar a autogestão nos espaços, incentivando as trabalhadoras a gerir as lavanderias. Alguns resultados nesse aspecto foram alcançados, já que 50% são autossustentáveis.
As lavadeiras pagam uma taxa solidária de 12% em cima do valor que arrecadam dos clientes. Esse valor é aplicado em pequenos reparos e consertos que precisam ser feitos, no pagamento do salário da (o) gerente da lavanderia, além da compra do material que elas utilizam durante o trabalho. O dinheiro também é investido para a organização de eventos como Dia das Mães e Natal.
Lavanderia do bairro São Pedro concorre a prêmio nacional
As trabalhadoras da Lavanderia Comunitária do bairro São Pedro têm muito o que comemorar. O projeto do espaço foi pré- aprovado na 3ª edição do Prêmio Consulado da Mulher de Empreendedorismo Feminino, que tem a proposta de contribuir com o desenvolvimento social e econômico dos negócios assessorados, balizando em princípios como Economia Solidária e Equidade de Gênero. O resultado final deve ser divulgado em setembro.
A iniciativa liderada por essas mulheres empreendedoras teresinenses está entre as 30 pré-selecionadas, das mais de 106 que se inscreveram por todo o país. Somente 20 empreendimentos serão premiados, sendo que os dez primeiros receberão serviços de assessoria, eletrodomésticos e uma premiação de cinco mil reais para investir na infraestrutura do negócio. Com isso, espera-se aumentar a capacidade produtiva, fazendo melhorar a renda e a qualidade de vida de muitas famílias e comunidades.
Essa pré-seleção correspondeu à segunda etapa do Prêmio, na qual a Lavanderia recebeu, nesse mês, a visita da equipe técnica do Instituto para avaliação, de perto, todos os pontos apresentados na ficha de inscrição.
Os projetos concorrentes envolvem as áreas de alimentação e lavanderia, chegando a 14 estados brasileiros, sendo eles: Santa Catarina, Alagoas, Bahia, Minas Gerais, Ceará, Pernambuco, Rio de Janeiro, Paraná, São Paulo, Mato Grosso, Piauí, Pará, Espírito santo e Paraíba.
Funcionamento e endereço das Lavanderias Comunitárias
As Lavanderias Comunitárias funcionam de segunda a sábado, das 7 às 18 horas. A estrutura básica existente em todas elas compreende a área de lavagem, área de passagem e sala de gerência. Mas nas que têm uma estrutura maior é possível encontrar sala de almoxarifado, depósito e cantina.
Os endereços das Lavanderias são: bairro Satélite - rua Branca, 4040; bairro Morada do Sol - rua Desembargador Fernando Sobrinho, 4742; bairro Ininga - rua José Alves, 2330, bairro Planalto Uruguai - rua principal com a rua 02; bairro Três Andares - rua Oriente s/n; bairro Parque Piauí - rua 25 de agosto 1049; bairro São Pedro - rua Murilo Braga, 820; bairro Marquês - rua Amazonas, 2564.
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